Seja bem-vindo ao Cristão Capixaba!

Reflexões acerca do mundo cristão.

sábado, 31 de agosto de 2013

PRECISAMOS DE UMA OUTRA REFORMA OU DE UMA RENOVAÇÃO EVANGÉLICA?

Em um tempo em que ser evangélico tornou-se moda; onde ser protestante é não opor-se a quase nada e é ser igual a todo mundo; em que pregar o evangelho é difundir uma mensagem de tolerância ao pecado; onde o cultuar as modernas serpentes de metal é inocular a venenosa idolatria e contaminar a cada dia o moribundo perfil da igreja evangélica brasileira; em que instituições cambaleantes em seu egoísmo eclesiástico escandalizam a fé cristã e prendem a descrença os de fora por conta de roubos, crimes e fraudes. O que nos resta?
Estamos em uma democracia onde líderes religiosos outrora destacados se transformaram em imperadores de uma Roma eclesiástica em que ocorrem assassinatos ministeriais, armações de uma suja política eclesiástica, subornos vexatórios, perseguições por medo de não manter-se no poder e muitas ações judiciais. Previsões de cientistas políticos esperam que os evangélicos do Brasil sejam usados como massa de manobra e como palanque social para discursos conservadores apenas com intenções eleitoreiras. Frente a este triste panorama da igreja brasileira vem a pergunta: Estamos precisando também de uma reforma no protestantismo?
A resposta é muito mais ampla e complexa do que eu gostaria que fosse. Pois se concordarmos que sim seu detalhamento exigirá a derrubada de regimes e estruturas políticas e comerciais dentro da própria igreja cristã brasileira; precisará aniquilar o poder camaleônico das mentiras que enfraqueceram o valor teológico e bíblico da verdade; sistemas arcaicos de gestão terão que ser implodidos, coronéis e latifúndios eclesiológicos devem ser expulsos e invadidos pelo bom senso cristão. As fortalezas da impiedade com suas vestimentas de piedade há muito tempo imperam neste cristianismo. Mas, tal resposta precisa de um milagre de Deus para se expressar e se consolidar de fato na vida deste vacilante perfil evangélico do século XXI.
Nossa cultura cristã ocidentalizada desenvolveu um comportamento cômodo que repele protestos, que satisfaz o mundo gospel e que absorve o mundano para a igreja sem nenhum problema. Para a grande maioria está muito bom do modo que nos encontramos, e desviado está aquele que pensa o contrário. Crentes que são vítimas da própria letargia e falta de atitude de se posicionar por meio da Palavra de Deus. A falta de oração e de reflexão bíblica desenvolveu crentes que ouvem todas as vozes menos a de Deus. Essa insensibilidade espiritual não permite sentir que já passamos da hora de uma transformação para este cristianismo reformado e nada mudado!
O grande problema para a chegada de um avivamento para a igreja evangélica brasileira – e só isso pode reformar no melhor sentido da palavra – são as denominações de protestantes, crentes e evangélicos. Desculpem-me os irmãos, mas nenhuma denominação escapa dessa verdade – estão se omitindo da responsabilidade e ignorando a realidade escancarada da existência de uma pomposa igreja de Laodicéia com filiais e adeptos instalados em todos os nossos templos e reuniões. Falta-nos zelo pelas coisas de Deus, falta-nos prioridade para o Seu reino, falta-nos foco para o centro de sua vontade e isso cega e mata espiritualmente.
Combatamos a escarnecedora e licenciosa Laodicíea que extermina os bons costumes de crente salvo, que despreza a palavra e ojeriza santidade, que profana o sagrado, que constrói bases políticas entre pastores, que endeusa pregadores, que consagra a idolatria gospel, que glorifica cantores afortunados, que mercantiliza a fé, que converte o culto em modismos e as pregações em cismas de heresia. A reforma precisa começar com você, na sua família, na vizinhança, na igreja e em todos os seus relacionamentos. Seu protesto é contra um sistema de mentiras orquestrado pelo príncipe das trevas que muita das vezes tem seus ideais maléficos exemplificados dentro de nossas igrejas protestantes e evangélicas. Quero ver quem tem coragem para protestar!

sábado, 24 de agosto de 2013

7 PODERES DISPONÍVEIS PARA VOCÊ PROVOCAR MUDANÇAS RADICAIS!

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Surpreenda-se com o incrível poder que têm as atitudes corretas em provocar mudanças radicais. Contemple seus maiores desafios sendo vencidos e superados por pequenas e bem sucedidas ações diárias.
1. Você PODE deixar de tomar decisões de ímpeto ou baseadas na emoção. Lembre-se que suas escolhas produzem progresso ou recessão. A melhor posição é aquela obtida em súplicas, sustentada sobre o racional e expandida sobre a coerência da sabedoria do alto.
2. Você PODE mover-se num giro de 180º e fazer novas e fantásticas descobertas sobre o seu potencial real – ouse em novas realizações. A velha receita você já conhece e sabe no que dá, por isso desbrave o novo com confiança que desta vez tudo vai dar certo.
3. Você PODE deixar de cometer os mesmos erros ao abandonar as velhas atitudes  e partir em direção à novos rumos e horizontes. O recomeço de ações acertadas será como pedras de realidade na construção de nossos maiores sonhos – não perca tempo.
4. Você PODE ser mais espiritual se voltar a ler a Bíblia, a orar, a jejuar e a praticar a vontade de Deus em sua vida  – priorize isso. A entrega te fará descobrir que poderá vencer gigantes tentações com essas simples e eficazes ações de devoção.
5. Você PODE deixar de aceitar que o inimigo tripudie sobre você com suas acusações se confessar os teus pecados a Deus. A vitória sobre as vozes de condenação está fincada num sincero arrependimento. Prostre-se, conte tudo, arrependa-se, levante-se e prossiga de mãos dadas com o Redentor de sua vida.
6. Você PODE usar a autoridade do nome de Jesus para vencer adversidades e se impor com fé sobre as dificuldades do dia a dia. É ótimo contar com as orações dos outros, mas é necessário ter intimidade com Deus para agir sob seu poder e direção e colocar abaixo as resistências adversas – quem tem fé renovada influencia o ambiente.
7. Este último não será o "sétuplo poder que falta" da lista anunciada. Porque na verdade o propósito deste parágrafo é só para esclarecer que seus poderes de mudança são ilimitados e inumeráveis. Esses "poderes" são simplesmente suas atitudes – elas definem tudo. Comece a alterar sua rotina de ações e dê uma guinada na vida – acredite pois essa é uma verdade ignorada: grandes mudanças começam por pequenas atitudes.
CONCLUSÃO: O elemento da mudança está dentro de você e as atitudes que dependem disso serão decisivas em rendição ou vitória. Faça o que você pode e deve fazer como pessoa lúcida e aplicada e deixe que o Espírito Santo adicione sobre suas mudanças uma milagrosa transformação de vida – pois você muda rotinas e ele reestrutura seu viver!
Se você foi edificado compartilhe também com seus irmãos e amigos!

VOCÊ GANHOU UMA CAIXA COM FERRAMENTAS ESPECIAIS!

Descobri que existe uma ferramentaria do bem disponível aos discípulos de Jesus.
Aprender a utilizar tais ferramentas é tornar-se apto a trabalhar para o Reino dos Céus e a ser servo de Deus. É constituir-se como o profético reparador de brechas e restaurador de ruínas de Isaías 58.12.
Por este motivo compartilho com você mais uma de minhas singelas reflexões que sempre abordam questões práticas da vida cristã.
VAMOS ABRIR E CONHECER ALGUMAS FERRAMENTAS DESTA CAIXA:
A caixa e o manual de instruções de como usar as ferramentas: Bíblia Sagrada (2 Tm 3.16-17).
Fabricante das ferramentas: Deus (Tg 1.17).
Pessoa qualificada para utilizá-las: Você (Cl 1.10). 
A SEGUIR AS FUNÇÕES E FICHA BÍBLICA PARA UTILIZAÇÃO:
Ferramenta para ajudar os outros – amor (Rm 13.10).
Ferramenta para restaurar relacionamentos – perdão (Cl 3.13).
Ferramenta para libertar cativos do engano - verdade (Zc 8.16; Jo 8.32).
Ferramenta para reduzir misérias alheias – misericórdia (Mt 9.13).
Ferramenta para sentir o sofrimento dos outros – compaixão (Mc 8.2).
Ferramenta para superar obstáculos – Fé (Mt 17.20).
Ferramenta para encontrar direção – oração (Mt 21.22).
Ferramenta para vencer ansiedades – paciência (Rm 12.12).
Ferramenta para alimentar sonhos – esperança (Rm 15.13).
Ferramenta para identificar os salvos de verdade – santidade (Rm 6.22).
Ferramenta para viver os propósitos de Deus – obediência (1 Pe 1.2).
Ferramenta para obter as maiores vitórias de sua vida – renúncia (Tt 2.12).
Tenho pedido as pessoas que leem meus artigos que se forem edificadas com estas porções que também possam compartilhar as mensagens com outros irmãos e amigos; afinal a internet e as redes sociais também são campos evangelísticos.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O DESONESTO MERCADO DA FÉ!

     A salvação e as bênçãos de Deus para a humanidade são de graça e por isso não tem custo financeiro (Ef 2.8). O problema é que tal verdade tem sido destorcida por falsas mensagens que descaradamente tentam vender as bênçãos da gratuidade Divina. A ganância é um abismo de interesses insaciáveis capaz de transformar a casa de Deus numa corja de ladrões e num antro de aproveitadores (Lc 19.45-48). Fora isso, o oportunismo de consumo do "mundo cristão" tornou-se numa tentação que tem desviado muita gente do caminho céu. O famigerado cristianismo ávido por novidades, carente de Deus e distante das Escrituras está à mercê de experts vendilhões do templo, dos charlatões de plantão e dos enganadores disfarçados de crentes. O objetivo dessa gente é escuso, por detrás da cortina de seus "ministérios ungidos" estão motivos e compromissos materiais que os escravizaram mesmo pregando uma mensagem de liberdade.

     A Palavra de Deus é contra esse comércio com vestimentas espiritualizadas (At 8.17-24). Distorções bíblicas, aberrações teológicas e verdadeiras loucuras são oferecidas em forma de disfarçados amuletos, unções sem fundamento, seminários de grupo fechado e tantas outras invenções para se ganhar dinheiro dos irmãos do despercebido universo religioso. Campanhas de oração, jejum, cultos de cura interior e libertação tocados à base de ofertas com valores estipulados. Qualquer igreja local que por expansão denominacional se presta a essa prática, melhor que continuasse como um mero ministério de bairro do que expor-se a esse ridículo pedinte - porque deste modo assume uma posição de mendicância e o Evangelho diz outra coisa (Mt 10.8; At 3.6).

     Enriqueceram-se a custa dos símplices do Evangelho (2 Pe 2.3). Visando lucro, boa parte das chocantes neo-revelações é liberada para o povo comprar em pequenos kits comerciais. Muitas mensagens carregadas de modismos são gravadas em CDs e DVDs para serem vendidas e produzidas em escala industrial. Ministérios autênticos foram desfigurados e transformados em fontes de lucro e desta forma os exploradores da fé cristã estão pobres daquela graça que nada custa. Refiro-me aos astros do louvor gospel que cobram absurdos para cantar! Dirijo-me a preletores que ministram por dinheiro e cuja agenda é feita por leilão dos convites.  Aponto os tele-evangelistas que em alguns casos comprometem nosso testemunho sendo os principais promotores de uma cultura de consumismo e de idolatria dentro do arraial cristão. 

   Uma das doutrinas mais fascinantes da teologia bíblica sistematizada é a doutrina da salvação. A experiência da salvação é um dos grandes milagres de Deus oferecido gratuitamente aos homens. O meio para tal bênção é a graça de Deus e a expressão do referido termo transporta duas verdades salientes. PRIMEIRO: A graça Divina quanto à salvação eterna não ocorre por nossos méritos, é fruto do amor de Deus (Ef 2.8; Tt 2.11). SEGUNDO: Se tamanho dom não é recebido por merecimento em escala moral e espiritual (Is 64.6) e nem por seletismo pelo prisma da preferência Divina (Jo 1.12), o seu preço está além das possibilidades humanas de pagá-lo. O ônus da grandiosa obra da redenção foi custeado pelo sangue de Cristo e sua eficaz obra expiatória (1 Co 6.20; Hb 9.22).

    Louvemos ao Senhor pois o preço de nossa salvação e das bênçãos celestiais já foi pago! A sua salvação, a cura divina, os dons espirituais, a transformação da vida, a restauração da família, a libertação de seus filhos e o porvir eterno já estão com valores liquidados pelo grandioso amor de Deus e pela oferta voluntária de Cristo Jesus. Não pague mais por aquilo que Deus já te oferece de graça e que está simplesmente ao alcance de sua fé nele! Abaixo as indulgências modernas de um cristianismo corrompido por mundo governado pelo espírito do Anticristo.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

SOMOS CRISTÃOS NOMINAIS OU REAIS?


Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade (1 Jo 1.6).
Os tempos são trabalhosos (2 Tm 3.1), os homens insatisfeitos com tudo e a vida moderna altamente materialista. Em meio as agitações do presente século encontra-se o um cristianismo mascarado e envolto por roupagens e adereços de um cronos (tempo) capitalista, consumista e indiferente (Lc 16.13). Deus não é mais o centro, o soberano, o primeiro, o absoluto em nossa inquieta e descontente alma. Desprezamos o propósito de Deus para nossas vidas e carregamos um fardo na forma de uma “espécie de karma” que consiste em estudos, profissão, dinheiro e sucesso (Ec 2.22; 12.12; Ag 1.6); aspirações impregnadas em todo ser humano vivente nesta era da informação e da velocidade.
A rapidez das realizações prometidas pelos arautos deste século, nos fizeram discípulos do instantâneo – muito longe dos primitivos crentes que viveram uma vida devota ao Cristo Salvador para realçarem o relacionamento duradouro que tiveram com Ele (Gl 2.20; 6.17). O espiritual tornou-se num desencargo de consciência através da filiação a alguma igreja evangélica, infelizmente para muitos de nós (Is 29.13). A Bíblia agora é um livro não mais de leitura e padrão de vida, mas de consultas esporádicas para aclarar as decisões que promovem nossas vontades. Nas nuances desta crise de essência cristã outra verdade aterradora é que a oração pessoal perdeu uma característica importante, a da comunhão com Deus (Fp 4.6). Recorremos ao Senhor mais para pedir a favor de interesses próprios que na maioria das vezes estão muito distantes do Reino dos Céus (Tg 4.3; Mt 6.33). Nossa petição não é por que desejamos estreitar nossa vivência com o Pai amado, mas porque só um milagre pode nos livrar das enrascadas que entramos e neste particular a razão se perde em meio a alguma inquietação que não é fé e sim desespero.
Há um nominalismo mesmo para quem frequenta a igreja regularmente, pois ser cristão por concordância de pensamento não reflete nada do cristianismo real de desapegos, renúncias e repúdios aos pecados deste cosmos de regalos e extravagâncias. Existe um ceticismo mesmo para quem proclama uma fé evangélica protocolada por credos doutrinários, pois não viver em razão do Reino de Deus e a sua Justiça é a maior das descrenças, incredulidades e descabimentos de um religioso cristão. No fim deste pensamento concluo que existem os nominais pelo sentido imediato do termo – individuo que se proclama partidário somente por nome; mas o nominal que frequentando uma igreja, sendo membro de uma congregação ainda está fora da eclésia de Jesus (1 Pe 2.9).
Que o Espírito de Deus restaure nossa espiritualidade, esclareça nossas prioridades e estabeleça o verdadeiro Senhorio de Deus sobre nós.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

OUTRA ASSEMBLÉIA NA ASSEMBLÉIA DE DEUS!

Liberais vs conservadores

As comemorações do centenário das Assembléias de Deus no Brasil passaram e infelizmente a denominação declina por vários e sérios motivos. A velha guarda, os emblemáticos septuagenários e octogenários líderes estão saindo de cena da direção das grandes matrizes eclesiásticas e não sabemos o que virá depois das despedidas ou jubilação desses que nos foram pastores de verdade. A realidade é que existem fortes evidências da existência de uma Assembléia de Deus genérica forjada por uma ala mais liberal da cúpula assembleiana. Tal performática carrega uma nuvem de incertezas quanto ao futuro e integridade cristã da denominação pois compromete estruturas de crença e liturgia, rompe ligaduras e despreza a herança doutrinal da casa religiosa.
    
     Porque genérica? Porque já não tem mais a mesma ortodoxia e contundência pentecostal, porque boa parte de sua liderança desviou-se de seu propósito bíblico e pastoral, porque falta unidade doutrinária, porque existe uma notória heterodoxia em cada congregação local, porque baixaram guarda no combate aos modismos, porque falta administração transparente das finanças e, sobretudo pelo enfraquecimento de sua personalidade conservadora quanto ao modo de viver de sua membresia.  O desgoverno institucional de nossa nomenclatura evangélica provocou um efeito dominó que atingiu toda a comunidade assembleiana, de modo que os desmandos administrativos promoveram incontinências, enfraqueceram a direção nacional, puseram em dúvida a autoridade, respeito e crédito dos órgãos representativos e reguladores da denominação. Essa perda referencial é o que também provoca e agrava o esfacelamento da unidade desta centenária igreja evangélica.

     Uma Assembléia de Deus distante daquela Assembléia que pregava um evangelho simples, mas com comprovação na vida das pessoas que abraçavam a poderosa mensagem pentecostal; distante não pelo fator cronológico, mas pela descaracterização de sua identidade, comportamento, ensino e ética.  Essa Assembléia de vestes mundanas, lascivas e escandalosas (é uma consideração figurada); de esforço galanteador a pregar uma prosperidade tendenciosa ao material; de entregar-se a uma secularização que extingue a espiritualidade e que reprime a pregação clara pela santidade é outra Assembléia que tenta tomar o lugar da verdadeira. Uma Assembléia mais política, mais eletizada, mais culta, mais tecnológica e infelizmente menos ela mesma do ponto de vista de sua razão histórica e pentecostal.

     A denominação se modernizou em suas posições religiosas e comportamentais e isso a desfigurou, o processo gerou uma desconstrução institucional pois comprometeu a conservação de seus bons costumes e os dissolveu numa massa ideológica fermentada pelo modernismo e humanismo seculares que trouxeram para dentro da igreja imoralidade, ganância, avareza e toda sorte de obras da carne. É importante salientar que seria incabível para a igreja atuar no XXI se mantivesse seus extremos fundamentalistas, mas daí a perder sua alma de preservadora da sã doutrina é outra questão. Por tal motivo a Assembléia de Deus está dividida dentro de suas próprias paredes, perdida em meio a convicções diversas e divergentes; e sob o mesmo teto denominacional o lado posicional é variado pois coexistem cosmovisões que se atacam e se atracam em posicionamentos locais sem o necessário pronunciamento oficial da denominação (CGADB e CONAMAD e Convenções estaduais).  As ovelhas mais descoladas passeiam por pastagens de um evangelho secularizado beirando a uma espécie de humanismo de certa forma hedonista; enquanto isso as mais recalcadas com a perceptível crise existencial de nossa denominação se isolam em seus cantos de murmurias e deflagrações.

     Atribuo à responsabilidade por tal desconfiguração a nossas proeminentes lideranças quanto a essa confusão de qual é a Assembléia que estamos congregando – afinal nenhum deles se pronuncia sobre o agravado problema. Em algum momento líderes importantes e vultosos de nossa denominação foram contaminados pela cobiça e deixaram o pastorado para tornarem-se donos e mandatários da igreja. Por astúcia e esperteza preocuparem-se com a perpetuação no poder, com isso desenvolveram esquemas de sucessões que beiram a nepotismo, para tanto desenvolveram uma política eclesiástica unilateral e fisiológica, construíram grupos partidários e forjaram frentes de oposição dentro do lastro eclesiológico da denominação pendendo-a para um lado obscuro de sua confusa imagem atual. Com tanta ocupação no esforço para alcançar ou manter-se no poder deixaram a denominação e as igrejas locais à deriva dos ventos de doutrina, dos aproveitadores de plantão e as expuseram fragilmente aos dardos do maligno que jamais perde oportunidade para atacar a obra de Deus.

        Infelizmente muitos da velha guarda também cometeram injustiças disciplinares motivadas por radicalismos infundados na ignorância avessa ao bom senso. Alguns cometeram pecados ao excluir por conveniência, falta de amor e até descarada perseguição. Mesmo frente a tal claudicância somos hoje a herança espiritual de muitos outros desbravadores que doaram suas vidas pela obra de Deus e pelo rebanho que lhes foi confiado. O autêntico legado espiritual assembleiano não pode ser desprezado pela nova geração.

     Não é com alegria que escrevo o artigo, mas como membro e obreiro da Assembléia de Deus há uma esperança de que a denominação possa integrar boa parte de seus membros à verdadeira e universal igreja de Cristo. Oremos para que nossa liderança abra seus ouvidos e coração e ouça a voz de Deus e aceite a direção do Espírito Santo para nos conduzir tão somente pela nobre causa do Evangelho e não pelas tentadoras oportunidades do adversário que tenta levantar uma “Assembléia de Zeus” dentro da Assembléia de Deus!

domingo, 14 de julho de 2013

OS CANTORES QUE SE VENDERAM A FAMA!

               Ser cantor gospel no Brasil tornou-se o sonho de muito crente. Gente que do meio da igreja luta para gravar seu primeiro CD, emplacar algum sucesso, pegar a estrada, lotar a agenda e viver para fazer a “obra”. O ideal parece coerente, pena que no universo da música gospel tal sentimento tornou-se inocente. Na realidade o objetivo de desenvolver um “ministério de louvor” para abençoar vidas por meio da música tão logo vai se perder e se comprometer com as aspirações comerciais e reais dessas gravadoras cujo foco principal é o de ganhar muito dinheiro!

                Foi-se o tempo em que nossos cantores cultivando o humilde espírito cristão gravavam seus LPs em pequenas e boas gravadoras de irmãos da fé. Todos os músicos e back vocal serviam a Deus e se entregavam na criação de álbuns que em regra geral eram bons, baratos e vendidos em igrejas e livrarias evangélicas. O tempo passou e a famigerada natureza humana quis profissionalizar os cantores que por fim esvaziaram-se de espiritualidade. Feito isso, nosso louvor tornou-se secular, nossas expressões banais e as aspirações para o novo cenário da música gospel puramente comercial.

                Nesse mercado fonográfico gospel o ritmo frenético é o das vendas. As letras das músicas misturam-se com cifrões em notas de valor elevado; caixas de CDs empilhados para sair das distribuidoras representam milhões; convites são sinônimos de entrada de receitas por meio de valor fixo em forma de ofertas disfarçadas para gabar-se que não louva por cobrança de cachê. Se vende muito no atacado, no varejo, com promoção e queima de estoque e compra parcelada no cartão. É um mercado consolidado e promissor que supera muitas aéreas de crescimento econômico em nosso país.

                Por isso alguns cantores evangélicos no Brasil tornaram-se estrelas e firmaram-se entre uma constelação de gente rica e famosa. Freqüentam programas de TV, estampam capas de revistas de grande circulação, ganharam marcas e grifes, inspiraram filmes e abriram caminho para quem vislumbra ostentar tal posição. No mundo midiático e da fortuna a fama tem seu preço e assim a liberdade e a espontaneidade do louvor e adoração foram trancadas dentro de uma cadeia de ganâncias quando tais cantores assinaram seus contratados de riqueza à custa dos seguidores do Evangelho de Cristo.

                Esses astros evangélicos não conseguem freqüentar os cultos da própria igreja em que congregam por que a agenda não os permite; não atendem a qualquer pedido a menos que o cachê seja compatível com o status elevado de sua avultada fama. Dependendo da gravadora com a qual tem contrato precisam seguir à risca as exigências comerciais que permeiam o acordo. Outra verdade é que a liberdade para compor o repertório está subordinada as diretrizes de mercado, a tendências, a nichos e por aí vai. Canta-se o que vender mais CDs e DVDs e não o que agrada a Deus ou que edifica os crentes!

                 Não quero desanimar os aspirantes a estamparem seus nomes no mundo da música gospel, mas o artigo alerta para uma realidade aterradora – você correrá o grande risco de ficar escravo de um sistema comercial pseudo cristão que rouba espiritualidade e absorve tudo por sua necessidade material de fama, sucesso e glamour sustentados por muita grana. É um ambiente comercial que monetiza a fé, que fatura por cantar sentimentos e esperanças cristãs com rosto de ovelha e espírito (voz) de dragão – igual ao da besta apocalíptica que subiu da terra (Apocalipse 13).


                Gravar CD para não poder cantar o que o Espírito inspira; não poder ir a igrejas menores por conta de cachês extravagantes; não poder falar com os irmãos a não ser por meio de assessoria é um modelo de “ministério” dissecado pela secularização e inflamado pela exploração do mercado cristão – gente inocente que se soubesse como o esquema funciona talvez nem comprasse. Entendo que cantar e não ter voz por tê-la vendido junto com a alma a um sistema voraz de comércio do cristianismo é fugir do chamado e renunciar ao propósito do dom recebido de graça para louvar e engrandecer a Deus!