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Reflexões acerca do mundo cristão.

domingo, 14 de julho de 2013

OS CANTORES QUE SE VENDERAM A FAMA!

               Ser cantor gospel no Brasil tornou-se o sonho de muito crente. Gente que do meio da igreja luta para gravar seu primeiro CD, emplacar algum sucesso, pegar a estrada, lotar a agenda e viver para fazer a “obra”. O ideal parece coerente, pena que no universo da música gospel tal sentimento tornou-se inocente. Na realidade o objetivo de desenvolver um “ministério de louvor” para abençoar vidas por meio da música tão logo vai se perder e se comprometer com as aspirações comerciais e reais dessas gravadoras cujo foco principal é o de ganhar muito dinheiro!

                Foi-se o tempo em que nossos cantores cultivando o humilde espírito cristão gravavam seus LPs em pequenas e boas gravadoras de irmãos da fé. Todos os músicos e back vocal serviam a Deus e se entregavam na criação de álbuns que em regra geral eram bons, baratos e vendidos em igrejas e livrarias evangélicas. O tempo passou e a famigerada natureza humana quis profissionalizar os cantores que por fim esvaziaram-se de espiritualidade. Feito isso, nosso louvor tornou-se secular, nossas expressões banais e as aspirações para o novo cenário da música gospel puramente comercial.

                Nesse mercado fonográfico gospel o ritmo frenético é o das vendas. As letras das músicas misturam-se com cifrões em notas de valor elevado; caixas de CDs empilhados para sair das distribuidoras representam milhões; convites são sinônimos de entrada de receitas por meio de valor fixo em forma de ofertas disfarçadas para gabar-se que não louva por cobrança de cachê. Se vende muito no atacado, no varejo, com promoção e queima de estoque e compra parcelada no cartão. É um mercado consolidado e promissor que supera muitas aéreas de crescimento econômico em nosso país.

                Por isso alguns cantores evangélicos no Brasil tornaram-se estrelas e firmaram-se entre uma constelação de gente rica e famosa. Freqüentam programas de TV, estampam capas de revistas de grande circulação, ganharam marcas e grifes, inspiraram filmes e abriram caminho para quem vislumbra ostentar tal posição. No mundo midiático e da fortuna a fama tem seu preço e assim a liberdade e a espontaneidade do louvor e adoração foram trancadas dentro de uma cadeia de ganâncias quando tais cantores assinaram seus contratados de riqueza à custa dos seguidores do Evangelho de Cristo.

                Esses astros evangélicos não conseguem freqüentar os cultos da própria igreja em que congregam por que a agenda não os permite; não atendem a qualquer pedido a menos que o cachê seja compatível com o status elevado de sua avultada fama. Dependendo da gravadora com a qual tem contrato precisam seguir à risca as exigências comerciais que permeiam o acordo. Outra verdade é que a liberdade para compor o repertório está subordinada as diretrizes de mercado, a tendências, a nichos e por aí vai. Canta-se o que vender mais CDs e DVDs e não o que agrada a Deus ou que edifica os crentes!

                 Não quero desanimar os aspirantes a estamparem seus nomes no mundo da música gospel, mas o artigo alerta para uma realidade aterradora – você correrá o grande risco de ficar escravo de um sistema comercial pseudo cristão que rouba espiritualidade e absorve tudo por sua necessidade material de fama, sucesso e glamour sustentados por muita grana. É um ambiente comercial que monetiza a fé, que fatura por cantar sentimentos e esperanças cristãs com rosto de ovelha e espírito (voz) de dragão – igual ao da besta apocalíptica que subiu da terra (Apocalipse 13).


                Gravar CD para não poder cantar o que o Espírito inspira; não poder ir a igrejas menores por conta de cachês extravagantes; não poder falar com os irmãos a não ser por meio de assessoria é um modelo de “ministério” dissecado pela secularização e inflamado pela exploração do mercado cristão – gente inocente que se soubesse como o esquema funciona talvez nem comprasse. Entendo que cantar e não ter voz por tê-la vendido junto com a alma a um sistema voraz de comércio do cristianismo é fugir do chamado e renunciar ao propósito do dom recebido de graça para louvar e engrandecer a Deus!
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