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Reflexões acerca do mundo cristão.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

OS EVANGELHOS DE PRATELEIRAS!

        Não é comum o cunho “evangelhos de prateleiras”, sua expressão obviamente não faz sentido quando a alusão retrata as Boas Novas de Cristo. Mas quando orações, canções, profetismos, visões, pregações e publicações de arrojos que massageiam o ego humano são apresentadas como mensagens espirituais e bíblicas (Cl 2.18); lamento dizer aos que “compram” essas meias verdades nas gôndolas dos mercadores de plágios da revelação bíblica que estão levando gato por lebre (porque geralmente são vendidas, não vem nada de graça desse mercado que atende a pedidos feitos pelo homem). 

        Neste segmento de vendas dirigidas ao povo cristão existem muitos embrulhos de heresias de perdição ao invés das desejadas bênçãos celestiais (2 Pe 2.1-3). O regente deste mundo construiu um supermercado de falsas promessas e arquitetou enganosas orientações à cristandade. Esse sistema maléfico vende o que não tem pois promete favores de Deus aos que com dinheiro, cheques, cartões de crédito, permutas e cortesias compram o produto oferecido nestas promoções aparentemente espirituais. Têm muita ingenuidade e por isso muitos irmãos acabam entregando parte de seus rendimentos aos disfarçados ministros do também deus do próprio ventre (Fp 3.19).

Notabiliza-se um absorto comércio que mercadeja até o intangível (promessas, milagres, solução de problemas e até unções de enriquecimento). Tais enunciados nada mais são que sorrateiro marketing aplicado à vendas. Idéias de homens que aglutinaram má fé, ganância e esperteza (Fp 3.18-19) frente à carência da multidão de professos de uma fé infundada de bíblia, caracterizada por inexperiência infantil (1 Co 14.20) e movida pelo sensacional triunfalismo das novidades espirituais que os faz andar de um lado para outro expondo-se a todo tipo de falsas doutrinas e modismos tresloucados (Ef 4.14).

                Existe uma perda de identidade cristã por conta desse mercado de pertinências e tendências do mundo gospel; afinal, são muitas as prateleiras de evangelhos dirigidos a gostos e preferências pessoais. Sermões desenvolvidos por “pregadores vendedores de fantasias espirituais”, hábeis em abordar o que gostamos de ouvir e com suas frases de efeito misturam o fermento comprado pela massa de crentes deste panelão de fé misturada com os açúcares e sabores de um idealismo humanista secular. Verdadeiramente o deus deste século cegou aos incrédulos de tudo e aos crédulos em qualquer coisa (2 Co 4.4).

Utilizei termos do próprio meio comercial e de marketing como: tendências, preferências, clientes e mercado, pois o que existe nos meandros da igreja evangélica brasileira é um grande negócio que enriquece muita gente e que ao mesmo tempo empobrece milhões de verdadeira espiritualidade e de dignidade cristã. São muitas as seções com os evangelhos de prateleiras contendo revelação extra-bíblia e até anti-bíblica na maioria dos casos. Tem auto-ajuda pseudo cristã, seminário de regressão, descarrego emocional, terapia espiritual, publicação escatomaníaca, satanalogia fóbica, maldição hereditária, mentalização afirmativa, confissão positiva e muitos outros “produtos para cristãos” que cegam, escravizam e até matam.

                Há uma inversão de posicionamento quanto à autoridade bíblica. Ao invés de submissão à Palavra de Deus, sujeitam e tentam condicionar as Escrituras a seus próprios comportamentos mesmo que estes sejam condenados pela Palavra (2 Tm 2.1-9). Seguem um evangelho encomendado que se condensa com impiedade; escutam pregações que se conformam com as obras da carne (Gl 5. 19-21). Aplicam-se a ensinos ideológicos e ilógicos dos empresários da fé que arrumam ao “crente moderno” uma vida comumente secular, objetivamente capitalista e necessariamente consumista garantindo com isso muito dinheiro aos que vendem essas indulgências modernas.

                O Evangelho não é produto elaborado para nossa satisfação como consumidores (Gl. 1.11; 1 Co 1.18); antes é a boa nova de salvação para nossa transformação de vida (Rm 1.16). Inclui abandonar o que é pecado e nos apegarmos ao que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e valoroso (Fp 4.8-9). Viver o Evangelho da Cruz requer sim uma escolha pesada e radical sustentada por fé em Jesus Cristo; sua experiência não se dá pelo ato de compra e venda, mas sim pela graça de Deus (Ef 2.8) e pela decisão da renúncia do antigo modo de vida e da abnegação de caminhar até ao fim seguindo e servindo a Cristo (Mt 16.24).

Não freqüente mais essas prateleiras e balcões lotados de meninices, heresias, mentiras, blasfêmias e sacrilégios. Expulse os vendedores de kits de bênçãos de seu tabernáculo espiritual (Jo 2.16). Utilize o azorrague do bom senso e do equilibrio espiritual contra esses irreverentes cambistas que se infiltram na vida evangélica com suas facilitações de culto e adoração (Jo 2.15). Cerceie sua relação com essa banca de curandeiros de mentira e com essa quitanda de profetas exímios em fazer média com homens – para vender suas visões imaginárias. Irrompa contra esse sistema de armazéns comerciais à custa do cristianismo, pois são enganações e deformações teológicas. Sai do meio dele povo de Deus; do mercado da fé e dos evangelhos de prateleiras e voltemos ao Evangelho da Verdade (Ap 18.4; 2.1-7; Jo 8.32).
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