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Reflexões acerca do mundo cristão.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

IGREJAS COM MUITO E TEMPLOS COM POUCO 1

Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor (Sl 122.1)

Não quero ser mal interpretado neste artigo. A razão desta exposição é lançar luz sobre uma questão intrigante que tem incomodado muitos irmãos e por isso mais uma vez recorrerei à fonte energética de meus artigos - a Palavra de Deus (2 Tm 3.16-17). Esclareço que as pontuações não generalizam todas as instituições religiosas, até porque nem todas com suas administrações procedem ao teor desta abordagem. O cerne da questão é que muitos cristãos estão saindo de suas congregações (inclusive crentes ligados a elas há décadas) por falta de sensibilidade pastoral, transparência e coerência religiosa quanto a arrecadações, despesas e investimentos ou falta dele em âmbito local.

Lamento que formas de gestão eclesiástica decrépita e insensível tenham navegado por oceanos de falta de percepção pastoral e planejamento administrativo. Direções ancoradas em atrasos injustificáveis e nada transparentes gerando com isso enfrentamentos com membros locais. Vivemos em um tempo em que quando os filiados percebem que o comunitário não tem mais o óbvio sentido de bem comum e que a falada unidade da igreja é só mais um discurso conveniente a uma mascarada oligarquia bispal - um pavio de murmurações é aceso no meio da congregação e algo como um barril de insatisfações explode lançando crente pra tudo quanto é lado nas igrejas da adjacência; caem naquelas que oferecem melhores condições de congregar.

Muitos líderes e pastores carecem refletir sobre a vida da igreja enquanto comunidade local sob os prismas bíblico, histórico e contextual. Menciono a fundamentação bíblica e história porque conhecê-las é ter uma diretriz segura sobre o que foi o que é e o que pretende a igreja enquanto agência do Reino de Deus (Mt 16.18; At 5:11; 11:26; 1 Co 11:18; 14:19, 28,35; Ef 1:22; 3:10, 21; 5:23-25 27,32; Cl 1:18, 24; 2 Pe 2.9-10). O enfoque contemporâneo precisa considerar os aspectos: pessoal, social e espiritual. Pessoal porque a igreja é formada por pessoas e negligenciar suas necessidades com base na Palavra é uma omissão de realidades eclesiológicas (At 6.1-4; Gl 6.10). Social porque desconsiderar o perfil do tipo de gente (cultural e financeiramente) que congrega na igreja é um erro estratégico e posicional (Tg 2.9). Espiritual porque a igreja precisa fornecer um ambiente próprio ao desenvolvimento de espiritualidade (e não me refiro só à liturgia), um local agradável e prazeroso contribuirá para a enlevação transcendente da congregação (2 Cr 7.15-16; Ec 5.1; 1 Co 14.26).

Nesse novo tempo pelo qual atravessa a igreja evangélica brasileira não dá mais pra aceitar cobranças por dízimos e ofertas sem ao menos existir prestação de contas e algum retorno para o bem comum da congregação. Há pouco tempo atrás as necessidades temporais da obra resumiam-se a pagamentos de despesas como aluguéis, salários, encargos sociais, energia elétrica, água, telefone, material de limpeza e higiene – mas a nova e a renovada consciência cristã considera essas “saídas” muito poucas frente ao tanto que as instituições religiosas pedem e arrecadam. É verdade que o problema agravado em que membros embalam manobras de evasão de algumas igrejas tem mais a ver com dificuldades de gestão (má liderança e administração) do que com a conceituação e aplicação eclesiológica de seu funcionamento e manutenção. Estou dizendo que os irmãos não querem deixar de contribuir com a obra – o que desejam é que haja uma retribuição da instituição em melhores estruturas e condições de culto e serviço cristão.

Assistência fraterna e social, obra missionária, caravanas, cantinas, construção de templos e tantas outras necessidades estão fora do objetivo-foco dos dízimos e campanhas de ofertas de muitas igrejas - é tudo por fora por conta dos sobrecarregados contribuintes. Não sai da tesouraria dinheiro nenhum a não ser para as despesas enxutas da igreja e para as benesses pastorais. O evangélico no Brasil sofre pela alta carga tributária imposta pelo governo e também por um jugo ofertório determinado por algumas instituições religiosas de confissão evangélica – para vergonha nossa. Se existe correspondência cristã na prática do segundo mandamento ela não acontece em regra geral pela instituição que se proclama igreja, mas pelos irmãos com suas ofertas avulsas. A justificativa é que a instituição já tem seus custos elevados e não pode ajudar – não tem como oferecer auxílio de alimento, abrigo, agasalho ou qualquer suporte material (Tg 2.14-17; 1.27). O discurso é bonito, mas não convence!

Artigo com continuação, aguarde...
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